quinta-feira, 6 de agosto de 2015

ERRO NÚMERO 26: MULHER NÃO TEM PODER SOBRE HOMEM


Mulher nenhuma tem poder sobre homem, não por ser mulher. Isso deveria ser óbvio, já que vivemos em uma sociedade patriarcal, mas ainda tem que ser dito, então, vamos lá. Vivemos em um sistema de gêneros, em que o gênero masculino se beneficia, e o feminino é explorado, pro benefício do gênero masculino. Na verdade, vivemos em um sistema de castas sexuais, mas, pra efeito de simplificação, fiquemos com o termo sistema de gênero mesmo.

Por outro lado, homens têm poder sobre mulheres, inclusive o poder de as enlouquecer. Homens manipulam mulheres, usam de gaslaite (ou gaslighting, em inglês, que seria, resumidamente, fazer o outro acreditar que está louco, ou fazer o outro acreditar que é culpado de algo, quando não o é – e geralmente o culpado é quem fez o gaslaite.), fazem chantagem emocional. Ah, mas mulheres fazem isso tudo também! Sim, tentam, mas, como mulheres não têm poder sobre homens, e o contrário sim, é falsa simetria dizer que é a mesma coisa.

Quando mulheres tentam manipular homens, fazer gaslaite ou chantagem emocional, isso não tem sobre homens o mesmo peso que quando homens fazem isso conosco. Exatamente porque não temos sobre eles o poder que eles têm sobre nós. Se um namorado diz que a namorada tá gorda, isso não tem o mesmo peso (sem trocadilhos) que uma mulher dizer que o namorado está gordo, porque estar fora dos padrões é muito mais difícil pra mulheres, somos muito mais cobradas. Se um homem diz que vai se separar da esposa (mesmo não tendo verdadeira intenção), isso tem muito mais peso sobre a mulher do que ela dizer que vai se separar do marido, porque mulheres aprendem que precisam de um homem, mas homens não precisam de uma mulher. Em geral, uma mulher vai fazer qualquer coisa quando o marido ameaçar se separar, enquanto o contrário raramente acontece. Se um homem tenta colocar numa mulher a culpa por algo que é culpa dele, a mulher aceitará essa culpa muito mais facilmente que um homem, porque somos socializadas pra nos culparmos mesmo por tudo, por todos os problemas do mundo.

Mas a prima da minha vizinha manipula o marido direitinho! Não se trata de uma situação individual, de esta ou aquela mulher conseguirem ter feito isso com esse ou aquele homem, mas de uma questão de classe – ou casta. Você pode até dizer que a prima da sua vizinha manipula direitinho o marido, não importa. Eu até acredito que algumas mulheres tenham sucesso individual em manipular homens, mas essa não é a norma na nossa sociedade, como afirma o post. A norma é homens fazerem isso com mulheres. É isso que é normalizado pra parecer natural, é naturalizado pra que a gente não se revolte. Em outras palavras, quando uma mulher tenta manipular um homem, ela é imediatamente acusada de manipuladora, mas homens manipulam mulheres diariamente em coisas que são consideradas “naturais” e, por isso, não são questionadas. Quem nunca ouviu a célebre frase “homem é assim mesmo”?

Exemplo: um homem trai a esposa e as hipóteses que a sociedade tece são: 1. ela é frígida ou ruim de cama; 2. alguma mulher o seduziu e ele não resistiu; 3. homem tem mais instinto natural pra trair, porque precisa mais de sexo que mulher, ou seja, homem não se controla. Uma mulher trai o marido e as hipóteses que a sociedade tece são: 1. ela é safada e não presta. Ou seja, das quatro hipóteses, a culpa é de uma mulher em três. E a quarta hipótese, embora não culpe a mulher, retira a culpa do homem. Assim, naturalizamos a noção de que “mulheres são más e homens são indefesos”, logo são as mulheres que enlouquecem os homens. Mas, se observarmos a história, a sociedade, a política, em tudo, é o contrário que prevalece.


Então, não, mulheres não enlouquecem homens, seja de raiva ou de amor. Aliás, quando um homem diz que está “louco de amor”, em geral, ele fica “louco” porque não consegue controlar aquela mulher, ou porque ela não quer nada com ele. No final das contas, não tem nada a ver com amor, mas com posse, propriedade, aquilo que todos os homens acham que podem ter sobre todas as mulheres. A não ser que elas já “pertençam” a outros homens, porque homem respeita a propriedade de outros. Outros homens, óbvio.  

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